Eu não me senti melhor. Não me sentiria melhor durante muito tempo. Já estava me desfazendo, como um lenço amarrado às pressas que se afrouxa e cai no chão antes que o dono perceba.
Era a coisa mais linda observar meu marido dizendo à minha filha coisas que ela ainda não era capaz de compreender. Era tão perfeito, tão surreal, que naqueles momentos eu queria pressionar um botão que botasse a vida em pausa.
já estava começando a compreender que toda aquela raiva tinha sido uma simulação. Algo que eu estava usando para me defender da vergonha. A raiva é mais cômoda do que a vergonha.
"Antes de chamar o caracol de fraco, amarre sua casa às costas e carregue-a por uma semana."
Levaria um tempo para eu me dar conta de que cada um de meus filhos tinha me dado tanto quanto tinha levado. Minhas lembranças deles, agridoces e constantes, eram tão poderosas quanto uma presença física. E, por isso, enquanto o ônibus me levava para o coração de uma cidade que eu não conhecia, enquanto minha última filha estava morrendo em Lagos e o país mergulhava no caos, eu não tive medo porque não estava sozinha.