segunda-feira, 13 de janeiro de 2020

No café existencialista (Bakewell, Sarah)

No café existencialista (Bakewell, Sarah)
- Seu destaque ou posição 113-115 | Adicionado: sexta-feira, 3 de janeiro de 2020 23:02:36

Estou sempre um passo adiante de mim mesmo, criando-me à medida que prossigo. Sartre formulou esse princípio num lema de cinco palavras que, para ele, definia o existencialismo: “A existência precede a essência”.
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No café existencialista (Bakewell, Sarah)
- Seu destaque ou posição 118-120 | Adicionado: sexta-feira, 3 de janeiro de 2020 23:03:19

Crio constantemente a mim mesma pela ação, e isso é tão fundamental para minha condição humana que, para Sartre, é esta a própria condição humana, desde o primeiro instante de consciência até o momento em que a morte anula tudo. Sou minha liberdade: nem mais nem menos.
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No café existencialista (Bakewell, Sarah)
- Seu destaque ou posição 175-177 | Adicionado: sexta-feira, 3 de janeiro de 2020 23:08:09

Partindo de onde está agora, você escolhe. E, ao escolher, também escolhe quem você será. Se isso parece difícil e desgastante, é porque é mesmo. Sartre
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No café existencialista (Bakewell, Sarah)
- Seu destaque ou posição 271-275 | Adicionado: domingo, 5 de janeiro de 2020 00:11:58

Para Sartre e Beauvoir, a relação aberta era mais do que um acerto pessoal; era uma escolha filosófica. Eles queriam viver sua teoria da liberdade. O modelo de casamento burguês não os atraía, com seus estritos papéis de gênero, suas infidelidades secretas e sua dedicação a acumular bens e filhos. Eles não tinham filhos, possuíam poucos bens e nunca sequer moraram juntos, embora pusessem seu relacionamento à frente de todos os outros e se encontrassem quase diariamente para trabalhar lado a lado.
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No café existencialista (Bakewell, Sarah)
- Seu destaque ou posição 296-299 | Adicionado: domingo, 5 de janeiro de 2020 00:14:20

tudo isso fazia sentido dentro do princípio enunciado pela primeira vez por Raymond Aron, naquele dia no Bec-de-Gaz: você pode fazer filosofia a partir desse coquetel. O assunto da filosofia é tudo o que você vivencia, como e enquanto vivencia.
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No café existencialista (Bakewell, Sarah)
- Seu destaque ou posição 300-301 | Adicionado: domingo, 5 de janeiro de 2020 00:27:09

Os pensadores estoicos e epicuristas no mundo clássico haviam praticado a filosofia como forma de bem viver, e não como busca do conhecimento ou da sabedoria como fins em si.
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No café existencialista (Bakewell, Sarah)
- Seu destaque ou posição 322-323 | Adicionado: domingo, 5 de janeiro de 2020 00:29:48

de vez em quando, saía para tomar “banho de gente” nas ruas de Copenhague, pegando e arrastando os conhecidos para longas caminhadas filosóficas. Os
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No café existencialista (Bakewell, Sarah)
- Seu destaque ou posição 349-351 | Adicionado: domingo, 5 de janeiro de 2020 00:32:32

“A angústia é a vertigem da liberdade”,35 dizia Kierkegaard. Toda
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No café existencialista (Bakewell, Sarah)
- Seu destaque ou posição 376-379 | Adicionado: domingo, 5 de janeiro de 2020 00:35:56

Nietzsche e Kierkegaard foram os arautos do existencialismo moderno. Pioneiros num estado de espírito rebelde e insatisfeito, criaram uma nova definição da existência como escolha, ação e autoafirmação e empreenderam um estudo da angústia e da dificuldade da vida. Também operaram na convicção de que a filosofia não era apenas uma profissão. Era a própria vida — a vida de um indivíduo.
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No café existencialista (Bakewell, Sarah)
- Seu destaque ou posição 516-518 | Adicionado: domingo, 5 de janeiro de 2020 17:28:44

a releitura dos existencialistas, com seu vigor e sua ousadia, permite certa renovação das perspectivas. Eles não ficavam por aí brincando com seus significados. Faziam grandes perguntas sobre o que significa viver uma vida plenamente humana e autêntica, lançados num mundo com muitos outros seres humanos também tentando viver.
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No café existencialista (Bakewell, Sarah)
- Seu destaque ou posição 536-537 | Adicionado: domingo, 5 de janeiro de 2020 17:30:57

Somos vigiados e controlados em um grau extremo, ordenhados por nossos dados pessoais, cevados com bens de consumo, mas desencorajados a falar o que pensamos ou a fazer qualquer coisa incômoda demais no mundo,
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No café existencialista (Bakewell, Sarah)
- Seu destaque ou posição 599-600 | Adicionado: domingo, 5 de janeiro de 2020 23:35:11

São tantas as conversas para ouvir que nem sabemos para que lado aguçar os ouvidos.
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No café existencialista (Bakewell, Sarah)
- Seu destaque ou posição 610-623 | Adicionado: domingo, 5 de janeiro de 2020 23:37:08

Os existencialistas se interessam pela existência humana concreta e individual. — Eles consideram a existência humana diferente das outras coisas, na espécie de ser que têm. Outras entidades são o que são, mas, como ser humano, sou o que escolho fazer de mim mesmo a cada momento. Sou livre — — e, portanto, responsável por tudo o que faço, fato atordoante que causa — uma angústia indissociável da própria existência humana. — Por outro lado, só sou livre dentro de situações, que podem incluir fatores de minha biologia e psicologia, bem como variáveis físicas, históricas e sociais do mundo a que fui lançada. — Apesar das limitações, sempre quero mais: estou apaixonadamente envolvida em projetos pessoais de todas as espécies. — Assim, a existência humana é ambígua: encerrada dentro de limites, mas ao mesmo tempo transcendente e divertida.
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No café existencialista (Bakewell, Sarah)
- Seu destaque ou posição 722-725 | Adicionado: domingo, 5 de janeiro de 2020 23:46:05

a tarefa do fenomenólogo é descrever. É essa a atividade que Husserl recomendava incessantemente a seus alunos. Significava despir-se de distrações, hábitos, ideias feitas, pressupostos e clichês mentais a fim de dedicar a atenção ao que ele chamava de “as coisas mesmas”. Devemos olhá-las de olhos bem abertos e capturá-las exatamente como aparecem, e não como pensamos que supostamente seriam.
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No café existencialista (Bakewell, Sarah)
- Seu destaque ou posição 726-728 | Adicionado: domingo, 5 de janeiro de 2020 23:46:22

A palavra “fenômeno” tem um sentido específico para os fenomenólogos: designa qualquer coisa, objeto ou ocorrência comum tal como se apresenta à minha experiência, e não como pode ser ou deixar de ser na realidade.
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No café existencialista (Bakewell, Sarah)
- Seu destaque ou posição 1078-1080 | Adicionado: segunda-feira, 6 de janeiro de 2020 09:38:06

Sou o ente sobre cujo Ser indago e, ao mesmo tempo, o ente que já como que conhece a resposta.
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No café existencialista (Bakewell, Sarah)
- Seu destaque ou posição 1093-1095 | Adicionado: terça-feira, 7 de janeiro de 2020 17:20:19

Ele fala em “Dasein”, palavra que normalmente significa “existência” de modo geral, composta por da (lá, ali) e sein (ser). Assim, o termo significa “ser-aqui” ou “ser-aí”.
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No café existencialista (Bakewell, Sarah)
- Seu destaque ou posição 1203-1205 | Adicionado: terça-feira, 7 de janeiro de 2020 17:27:49

Não pairamos sobre o grande e rico entrelaçamento do mundo, contemplando-o lá do alto. Já somos no mundo, envolvidos nele — somos “lançados” aqui. E “a condição de lançados” deve ser nosso ponto de partida.
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No café existencialista (Bakewell, Sarah)
- Seu destaque ou posição 1271-1275 | Adicionado: terça-feira, 7 de janeiro de 2020 17:32:51

Quando essas coisas acontecem, diz Heidegger, elas revelam “a obstinação daquilo a que damos nosso cuidado”.70 Essa revelação ilumina o projeto de outra maneira, junto com todo o contexto de meu cuidado com ele. O mundo deixa de ser uma máquina zunindo suavemente. Torna-se um amontoado de coisas teimosas recusando-se a cooperar, e aqui estou eu no meio disso, aturdida e desorientada — que é precisamente o estado mental que Heidegger procura induzir em nós quando lemos seus escritos.
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No café existencialista (Bakewell, Sarah)
- Seu destaque ou posição 1286-1288 | Adicionado: terça-feira, 7 de janeiro de 2020 22:10:57

Não admira que chamemos uma experiência dessas de colapso. Pode ser familiar a quem sofre de depressão e também pode ocorrer em vários distúrbios neurológicos. Para Heidegger, seria um caso extremo do desmoronamento do Ser-no-mundo cotidiano, em que tudo se desarticula, se impõe e se recusa a negociar com nossa habitual e abençoada desatenção.
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No café existencialista (Bakewell, Sarah)
- Seu destaque ou posição 1410-1413 | Adicionado: terça-feira, 7 de janeiro de 2020 22:28:31

Como posteriormente escreveu o psicólogo Bruno Bettelheim a respeito daquele período, poucos arriscariam a vida por algo tão pequeno quanto erguer um braço13 — no entanto, é assim que se corrói a capacidade de resistência de uma pessoa e depois a responsabilidade e a integridade também se acabam.
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No café existencialista (Bakewell, Sarah)
- Seu destaque ou posição 1450-1452 | Adicionado: terça-feira, 7 de janeiro de 2020 22:31:50

Tenho familiaridade com meu eu-eles, mas não com minha voz não alienada — assim, numa curiosa distorção, minha voz real é a que soa mais estranha para mim. Posso não a ouvir ou posso ouvi-la, mas não saber que sou eu chamando.
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No café existencialista (Bakewell, Sarah)
- Seu destaque ou posição 1630-1633 | Adicionado: quarta-feira, 8 de janeiro de 2020 22:56:02

Se somos entes temporais por nossa própria natureza, então a existência autêntica significa aceitar, em primeiro lugar, que somos finitos e mortais. Todos morremos: essa percepção importantíssima é o que Heidegger chama de autêntico “Ser-para-a-morte”,51 e é fundamental para sua filosofia.
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No café existencialista (Bakewell, Sarah)
- Seu destaque ou posição 1829-1832 | Adicionado: quinta-feira, 9 de janeiro de 2020 22:41:40

Sartre terminou o ensaio que iniciara em Berlim, “Uma ideia fundamental da fenomenologia de Husserl: a intencionalidade” — o memorável texto que apresentava a intencionalidade como um exílio das aconchegantes câmaras digestivas da mente para o mundo empoeirado do ser.
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No café existencialista (Bakewell, Sarah)
- Seu destaque ou posição 1855-1857 | Adicionado: quinta-feira, 9 de janeiro de 2020 22:56:42

O narrador de Sartre é tomado pela náusea — mas ao mesmo tempo vem-lhe uma percepção: nada no mundo ocorre por necessidade. Tudo é “contingente”, e poderia ter ocorrido de outra maneira. Ele fica horrorizado com essa revelação.
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No café existencialista (Bakewell, Sarah)
- Seu destaque ou posição 1868-1868 | Adicionado: quinta-feira, 9 de janeiro de 2020 22:58:00

A vida parece uma massa amorfa, caracterizada apenas pela contingência, não pela necessidade.
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No café existencialista (Bakewell, Sarah)
- Seu destaque ou posição 1876-1878 | Adicionado: quinta-feira, 9 de janeiro de 2020 22:59:33

Roquentin percebe que não é apenas a árvore, mas o Ser da árvore que o incomoda. É o modo como ela está simplesmente ali, inexplicável e sem qualquer razão, negando-se a fazer sentido ou a se enquadrar em alguma coisa.
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No café existencialista (Bakewell, Sarah)
- Seu destaque ou posição 1909-1912 | Adicionado: quinta-feira, 9 de janeiro de 2020 23:02:16

Em tudo há o inexplorado, porque estamos acostumados a utilizar nossos olhos apenas com a lembrança daquilo que outros pensaram antes de nós sobre o que contemplamos. A mínima coisa contém um pouco de desconhecido. Encontremo-lo. Para descrever um fogo que arde e uma árvore numa planície, fiquemos diante desse fogo e dessa árvore até que não se assemelhem mais, para nós, a nenhuma outra árvore e a nenhum outro fogo.
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No café existencialista (Bakewell, Sarah)
- Seu destaque ou posição 1915-1916 | Adicionado: quinta-feira, 9 de janeiro de 2020 23:03:12

essa capacidade de descrever um fenômeno sem a influência de teorias alheias é o que liberta o filósofo.
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No café existencialista (Bakewell, Sarah)
- Seu destaque ou posição 1956-1960 | Adicionado: quinta-feira, 9 de janeiro de 2020 23:10:07

Levinas chama essa sensação de um ser pesado e amorfo de “il y a”,20 o “há”. Mais tarde, iria compará-lo ao som surdo e trovejante que ouvimos ao pôr uma concha no ouvido ou, na infância, quando estamos deitados num quarto vazio, sem conseguir dormir. É “como se o vazio estivesse cheio, como se o silêncio fosse barulho”.21 É uma sensação de pesadelo completo, que não deixa nenhum espaço para o pensar — sem nenhuma cavidade interna.
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No café existencialista (Bakewell, Sarah)
- Seu destaque ou posição 1961-1964 | Adicionado: quinta-feira, 9 de janeiro de 2020 23:10:36

um estado em que os seres nos aparecem “como se não compusessem mais um mundo”,22 isto é, esvaziados de sua rede heideggeriana de finalidades e envolvimentos. Uma reação natural a tudo isso é querer escapar, e encontramos esse escape em qualquer coisa que nos devolva nosso senso de forma e estrutura. Pode ser a arte, a música ou o contato com outra pessoa.
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No café existencialista (Bakewell, Sarah)
- Seu destaque ou posição 1984-1986 | Adicionado: quinta-feira, 9 de janeiro de 2020 23:12:19

Os fenomenólogos nos levam às “coisas mesmas”. Eles seguem, digamos assim, o mantra da escrita criativa: “Não conte; mostre”.
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